O governador Ratinho Junior (PSD-PR) surpreendeu até os aliados mais próximos ao anunciar a desistência da pré-candidatura à Presidência da República no final da tarde desta segunda-feira (23). Horas antes, deputados estaduais da base almoçaram com o governador do Paraná no Palácio Iguaçu, sede do Executivo do estado, para se despedir de Ratinho Junior, que prometia deixar o mandato até o final da próxima semana.
O clima era de euforia entre os deputados estaduais do PSD e de outros partidos aliados pela expectativa do lançamento da pré-candidatura de Ratinho Junior, nesta quarta-feira (25). Segundo deputados da base ouvidos pela Gazeta do Povo, a saída dele do páreo presidencial indica que o governador irá privilegiar a tentativa de fazer um sucessor no Palácio Iguaçu.
No plano nacional, um dos aliados que almoçou com Ratinho Junior avalia que a polarização em vez de arrefecer, se acirrou com a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como principal opositor de Lula (PT). Assim, o recuo do paranaense pode ser considerado “estratégico” na leitura do deputado estadual.
No comunicado divulgado pelo PSD do Paraná, Ratinho Junior também descarta a possibilidade de concorrer ao Senado. Ou seja, ele pretende percorrer o estado durante a campanha ao governo com o objetivo de “transferir votos” para o escolhido do PSD, na esteira da alta aprovação do eleitorado paranaense.
Segundo o levantamento da Quaest, divulgado em agosto de 2025*, 70% dos paranaenses afirmavam que Ratinho Junior merecia eleger um sucessor. Além disso, o governador tinha 84% de aprovação dos entrevistados.
Decisão de Ratinho Junior seria resposta à filiação de Moro ao PL
O entendimento dos aliados é de que o líder paranaense deve assumir o comando das articulações com a coordenação da campanha eleitoral do escolhido para a sucessão, assim como ocorreu na vitória do prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel (PSD-PR), nas eleições de 2024.
Ao permanecer na cadeira do Executivo estadual, ele também daria uma resposta ao movimento do senador Sergio Moro, pré-candidato ao governo, que firmou uma aliança com o presidenciável Flávio Bolsonaro.
O ex-juiz da Lava Jato se filia ao PL nesta terça-feira (24) e ainda deve contar com o apoio do Novo, um dos partidos que integram a base do governo paranaense, fortalecendo uma candidatura de direita no estado.
Do outro lado, Ratinho Junior poderia ter dificuldades em participar da campanha do nome escolhido como sucessor no Paraná, se tivesse uma campanha presidencial para percorrer todo o país.
No início deste mês, ao ser questionado pela Gazeta do Povo sobre a possibilidade de permanecer no cargo até o final do mandato, ele respondeu que pretendia deixar o mandato até o dia 4 de abril, atendendo à legislação eleitoral para “ficar apto” aos desafios do PSD.
Oficialmente, Ratinho Junior justificou a decisão de renunciar ao projeto nacional após “profunda reflexão com sua família”. Nos bastidores, o apresentador Ratinho já teria se posicionado contrário ao plano presidencial e aconselhado o filho a manter o foco na sucessão do grupo político no Palácio Iguaçu.

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